(...) e se perguntarmos a alguém se "gosta"
de uma música de sucesso lançada no mercado, não conseguiremos
furtar-nos à suspeita de que o gostar e o não gostar já
não correspondem ao estado real, ainda que a pessoa interrogada
se exprima em termos de gostar e não gostar.
Em vez do valor da própria coisa, o critério de julgamento é o fato de
a canção de sucesso ser conhecida de todos; gostar de um
disco de sucesso é quase exatamente o mesmo que reconhecê-lo.
O comportamento valorativo tornou-se uma ficção para
quem se vê cercado de mercadorias musicais padronizadas.
Huxley levantou em um de seus ensaios a seguinte pergunta:
quem ainda se diverte realmente hoje num lugar de diversão?
Com o mesmo direito poder-se-ia perguntar: para quem a
música de entretenimento serve ainda como entretenimento?
Ao invés de entreter, parece que tal música contribui ainda
mais para o emudecimento dos homens, para a morte da linguagem
como expressão, para a incapacidade de comunicação.
A música de entretenimento preenche os vazios do silêncio
que se instalam entre as pessoas deformadas pelo medo, pelo
cansaço e pela docilidade de escravos sem exigências.
Huxley levantou em um de seus ensaios a seguinte pergunta:
Quem ainda se diverte realmente hoje num lugar de diversão?
Com o mesmo direito poder-se-ia perguntar: para quem a
música de entretenimento serve ainda como entretenimento?
Ao invés de entreter, parece que tal música contribui ainda
mais para o emudecimento dos homens, para a morte da linguagem
como expressão, para a incapacidade de comunicação.
A música de entretenimento preenche os vazios do silêncio
que se instalam entre as pessoas deformadas pelo medo, pelo
cansaço e pela docilidade de escravos sem exigências.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
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